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SAUDAÇÃO AOS NOVOS MEMBROS DO IASC.

Por Daniel Lopes da Rosa – Orador do IASC.

Sessão Solene de Posse – Assembleia Legislativa de Santa Catarina

1º de outubro de 2026

Boa noite a todos.

Antes de mais nada, peço vênia, respeitosamente, a todos os presentes. Quero aqui cumprimentar e homenagear as duas maiores autoridades da minha vida, aqui presentes. Meu AMADO pai Dr. Ricardo José da Rosa e minha AMADA Mãe, Rita de Cássia. Aqueles que não me ensinaram tudo que eu penso saber, mas me ensinaram a escolher o que aprender. Me transmitiram verdadeiros valores. Valores  que hoje carrego comigo, todos os dias, e me fazem buscar ser uma pessoa melhor.

Pai. Mãe. Agradeço a vocês por isso. É uma verdadeira honra ser seu filho. E agradeço, sobretudo a Deus, por me permitir ter nascido do amor de vocês.

Aproveito para agradecer também ao meu primo (mais experiente), “dr. Gilllllllberto”, como dizia o saudoso ex-presidente do IASC, Dr. Carlin, pela amizade e convívio desde tenra idade até hoje, e por ter me convidado para assumir o cargo de Orador neste Instituto.

E agora, saudando o Excelentíssimo Senhor Doutor Cássio Biffi, Presidente do Instituto dos Advogados de Santa Catarina, que hoje toma posse, e o Doutor Gilberto Lopes Teixeira, que hoje transmite o cargo e assume a Presidência do Conselho Deliberativo, cumprimento todas as autoridades já nominadas pelo cerimonial e todos os presentes.

Senhoras e senhores,

meus queridos confrades e confreiras, e, de modo muito especial, os novos membros que hoje passam a integrar o Instituto dos Advogados de Santa Catarina. É uma enorme satisfação recebê-los na Nossa Casa, o IASC.

Confesso que pensei em utilizar uma ferramenta de inteligência artificial para elaborar este singelo discurso de boas-vindas.

Mas acabei por refletir e concluir que talvez um dos maiores desafios do nosso tempo seja, em muito pouco tempo, justamente a utilização das inteligências artificiais, que, exponencialmente, vêm nos substituindo naquilo que sempre nos definiu como seres humanos: o pensar. “Penso, logo existo.”

Mas será que a próxima geração ainda produzirá algo a partir de seus próprios pensamentos?

Trabalhos acadêmicos, petições, sentenças, livros dos mais diversos, laudos médicos, enfim… tudo isso já pode ser produzido, cada vez mais, em um piscar de olhos, e com surpreendente qualidade, mas pela máquina.

Concluí, então, que deveria fazer justamente o contrário: pensar.

E dedicar parte do meu tempo ao IASC, aos novos membros e aos que hoje aqui prestigiam este evento, escrevendo-lhes estas breves palavras que ora lhes dirijo.

Ingressar no IASC é, sem dúvida, um privilégio. Mas eu gostaria de lembrar, desde logo, que é também uma grande responsabilidade.

Porque o IASC, definitivamente, não é para todos.

E digo isso não no sentido da exclusão. Muito pelo contrário.

Esta é uma instituição que não distingue pessoas por sua origem, raça, cor, credo, posição social, ideologia ou preferência política. Aqui podem, e devem, conviver pessoas que pensam de maneiras profundamente diferentes.

Quando digo que o IASC não é para todos, refiro-me às exigências que esta instituição impõe a quem aceita fazer parte dela.

O IASC exige compromisso com a ética. E exige respeito.

Exige responsabilidade com a palavra, independência de pensamento, e exige disposição para o diálogo.

E talvez, nos dias de hoje, exija de nós algo ainda mais difícil: a capacidade de conviver respeitosamente com quem pensa diferente.

Vivemos uma época extraordinária sob muitos aspectos. Nunca tivemos tanto acesso à informação, nunca nos comunicamos tão rapidamente e nunca estivemos tão conectados.

Paradoxalmente, talvez nunca tenha sido tão fácil nos isolarmos dentro de nossas próprias convicções.

Os algoritmos que hoje organizam boa parte daquilo que vemos nas redes sociais aprendem nossos gostos, nossas preferências e nossas opiniões. E, pouco a pouco, passam a nos mostrar cada vez mais aquilo com que já concordamos.

Passamos a ouvir quem pensa como nós, a ler quem confirma o que pensamos e, muitas vezes, a enxergar aquele que diverge não simplesmente como alguém que possui outra opinião, mas como um adversário.

Isto constitui terreno fértil para a intolerância e para uma polarização que empobrece o debate público.

Instituições como o Instituto dos Advogados de Santa Catarina têm, portanto, uma importância ainda maior neste momento.

Porque uma instituição centenária como o IASC já atravessou diferentes épocas, diferentes governos, diferentes crises e profundas transformações sociais.

Mudaram as leis, os costumes, as formas de comunicação. Mudaram os conflitos da sociedade. Mudou o próprio Direito e mudou, sobretudo, os DESAFIOS DA SOCIEDADE.

Mas o IASC manteve-se vivo. Vivo e atuante. Justamente porque instituições verdadeiramente importantes não pertencem a uma geração, a uma corrente de pensamento ou a um determinado momento histórico.

Existe aqui a tradição. Uma tradição que nos precede e que continuará depois de nós.

Esse é o verdadeiro peso de pertencer ao IASC.

E essa responsabilidade não existe apenas perante o Instituto.

Existe também entre nós, confrades e confreiras.

Devemos prestigiar nossos confrades, ainda que não compartilhem das mesmas ideias.

Devemos respeitá-los.

Devemos ouvi-los.

E devemos ter a grandeza de discordar sem romper os vínculos que nos unem.

O debate jurídico sempre foi construído pela divergência.

Uniformidade de pensamento nunca foi sinônimo de inteligência. Ao contrário significa pobreza intelectual.

E talvez uma das maiores contribuições que possamos dar à sociedade seja justamente demonstrar que é possível divergir, e ao mesmo tempo, defender com firmeza as nossas convicções sem perder o respeito; e  sem transformar o outro em inimigo.

Aos novos membros que hoje ingressam no Instituto, portanto, quero dizer: sintam orgulho desta posse.

Ela deve ser celebrada.

Mas, a partir de hoje, vocês também passam a carregar consigo uma pequena parcela da história e do futuro desta instituição.

Participem.

Tragam suas ideias.

Discordem quando entenderem necessário.

Provoquem debates.

Contribuam com aquilo que cada um possui de melhor.

Mas façam tudo isso, lembrando sempre, que o nome do Instituto dos Advogados de Santa Catarina não é apenas uma distinção que acrescentamos aos nossos currículos.

É um compromisso que assumimos.

Compromisso com o Direito, com a ética,  com a liberdade de pensamento, com a tolerância. E compromisso uns com os outros.

Sejam todos muito bem-vindos ao Instituto dos Advogados de Santa Catarina.

Que possamos honrar aqueles que construíram esta instituição antes de nós e, sobretudo, que sejamos capazes de deixá-la ainda mais forte para aqueles que virão depois.

Avante!

Muito obrigado.

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